
O Brasil é um país de paradoxos. O reconhecimento, ainda que tímido, dos méritos de Lula pela mídia nacional só ocorreu após a consagração internacional do Bolsa Família e sua liderança no G20 e entre países agrícolas durante a crise de 2008.
O mesmo padrão se repete agora.
Desde o início de sua trajetória presidencial, Lula revelou características políticas marcantes:
- É um democrata, por convicção e prática.
- É um social-democrata, que jamais tentou confrontar os pilares do sistema financeiro que herdou.
- Avança pontualmente ao buscar brechas no orçamento para incluir os mais pobres e fortalecer os movimentos sociais — vistos por ele, corretamente, como pilares da democracia.
- Mas tem dificuldade em consolidar planos estratégicos de desenvolvimento nacional.
- Cede excessivamente nas negociações políticas, dentro do modelo de presidencialismo de coalizão.
- Seus dois primeiros mandatos foram favorecidos pelo boom das commodities, que ampliou o orçamento e permitiu atender simultaneamente ao mercado, aos grandes grupos e às políticas sociais.
- É, sobretudo, o presidente brasileiro de maior prestígio internacional, atualmente reconhecido como uma das principais lideranças globais pela paz.
- Contudo, não é o estadista disposto a reformar profundamente o Estado.
A polarização política, intensificada com a ascensão de Lula e do PT, atingiu níveis de irracionalidade preocupantes. Em vez de ser reconhecido como o líder que ajudou a consolidar a democracia, suavizar os excessos do capitalismo e fortalecer os movimentos sociais, Lula passou a ser rotulado como esquerdista e estatista — inclusive por setores da opinião pública considerados racionais, que se informavam pelos grandes veículos de mídia.
Foi alvo da mídia, do Supremo Tribunal Federal, do chamado “partido do TRF4” e de diversos atores institucionais que, apenas recentemente, passaram a reconhecer sua relevância para a democracia brasileira.
Lula tinha o potencial de ser o grande conciliador nacional — capaz de unir uma esquerda moderada e uma direita não radical em torno de um projeto que fortalecesse a classe média, promovesse a ascensão social sem rupturas e equilibrasse regras de mercado com estímulo à organização dos pequenos. Impedido de realizar esse papel no Brasil, sua vocação conciliadora encontrou espaço no cenário internacional, onde hoje é reconhecido como um dos líderes mais influentes do mundo, com uma dimensão geopolítica que ultrapassa a do próprio país.
Em seu discurso no encontro de lideranças internacionais, intitulado “Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos”, sua conclamação em defesa da democracia soou quase como uma autocrítica. A direita cresceu porque a esquerda parou — não soube como atender às demandas da população. No poder, preocupou-se mais em atender aos interesses dos poderosos do que às necessidades dos oprimidos.
Reeleito, não se deve esperar de Lula as reformas estruturais profundas que o Estado brasileiro necessita para se tornar uma verdadeira democracia social. No entanto, sua presença no poder representa, mais uma vez, a salvação da democracia brasileira — ainda que no limite do tempo.
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José de Almeida Bispo
25 de setembro de 2025 7:44 am“Contudo, não é o estadista disposto a reformar profundamente o Estado.”
Todos que tentaram isso a fórceps, produziram desastres monumentais. Todos! O ditado que “de boas intenções o inferno está cheio”, bem ilustra isso; e é a pura verdade. Os versos de Vandré “Vem, vamos embora que esperar não é saber. QUEM SABE, FAZ A HORA; NÃO ESPERA ACONTECER”, são de grande sabedoria. Mas, pra fazer com menos ais, tem que primeiro FAZER A HORA. Numa sociedade autocrata e eternamente colonial, qualquer avanço descontrolado vira catástrofe humana; algo atípico numa sociedade mediterrânea, mesmo que derivada, como a nossa. POR ISSO LULA É UM ESTADISTA. Que já está na história como um dos maiores dela.
JOEL LEONIDAS TEIXEIRA NETO
25 de setembro de 2025 9:20 amNassif, parece esquecer o Congresso eleito.
Luis Nassif
25 de setembro de 2025 7:00 pmSim Estadista é-o que consegue criar as condições Lula é o estrategista que tenta avançar em cima das brechas do sistema e das condições dadas
JOEL LEONIDAS TEIXEIRA NETO
25 de setembro de 2025 9:18 amPara fazer as reformas estruturais necessária do Estado brasileiro é preciso ter ampla maioria no Congresso. Isto não depende dele, e sim de nós, eleitores.
Antonio Uchoa Neto
25 de setembro de 2025 10:04 amEu ainda gostaria de ouvir, de Lula, algo assim: https://www.youtube.com/watch?v=JzD9qesHcdU&list=WL&index=27&t=43s
Mas seria, creio eu, exigir demais.
Ok, Lula é um Estadista. Mas, talvez, por vias tortas. Dizem que Napoleão Bonaparte só começou a ser glorificado como o maior francês da História, muito tempo após a sua morte, quando, devido à mediocridade que se seguiu à sua queda, os franceses perceberam que não surgiria ninguém à altura, e, para não ficar sem heróis, se voltaram para o corso. Isso, sem entrar em considerações acerca do seu legado – que tem sua parte boa – e de sua ação política e militar, não muito defensável sob determinados pontos de vista.
Mas o nosso Lula – em quem voto desde a morte de Leonel Brizola – tornou-se Estadista, certamente, em razão da mediocridade que o antecedeu, salvo raras e honrosas exceções.
O reconhecimento a Lula tem duas razões principais; primeiro aplaca a má consciência das nações que prosperaram e enriqueceram às custas do sangue dos povos que colonizaram – estão vendo, eles não nos odeiam, eles querem ser como nós, justos, democráticos, e pacíficos. Segundo, e mais importante, deixam intocadas questões graves como justiça, reparação, e comércio justo. Lula é aceito porque não confronta, mas concilia; não cobra, mas quer ser aceito no clube. Ainda não percebeu – e jamais perceberá – que esse clube não quer mais sócios, apenas serviçais. O palhaço hoje no poder na vizinha Argentina, é isso que eles querem. Mas Lula fala bonito, é generoso, eloquente em sua justa mas passiva indignação, e é aplaudido; os Petros e Evos, eles fazem como os americanos durante a fala do colombiano: saem da sala, para não ouvir a verdade dolorosa. Contemos um ponto a favor da ‘civilização’ européia e americana – em 1961, eles seriam fuzilados, como Lumumba. Agora, se limitam a deixá-los falando sozinho.
Assis Ribeiro
25 de setembro de 2025 10:55 amO mundo multipolar e o Brasil.
Os últimos acontecimentos mundiais demonstram que um novo mundo, multipolar, já se consolidou. E o Brasil é um dos países centrais nesse novo paradigma.
A guerra da Ucrânia e a posição da Rússia nas negociações demonstra que Moscou deixou de ser tratada como inimigo a ser isolado para se afirmar como polo de qualquer decisão. Isso demonstra uma mudança na correlação de forças. A Rússia ao resistir às pressões da OTAN e defender sua soberania se reafirma como um dos player desse do novo mundo multipolar
Em outra ponta se encontra a China como potência econômica, sua estabilidade política, capacidade de influência via cooperação multilateral intensa e um novo tipo de assertividade.
Em outro eixo se encontra o Brasil com sua enorme riqueza na produção de alimentos, energia, produtos minerais, inclusive o tão cobiçados “terras raras”, indispensáveis ao mundo. O Brasil a ser o país maior perseguido pelas medidas excessivas de Trump e não tendo se dobrado demonstrou sua independência ao unilateralismo e se firmando como uma das lideranças do mundo multipolar. O Brasil é hoje voz ativa em organismos multilaterais, atua pela democratização do Conselho de Segurança da ONU e defende a integração latino-americana no âmbito da Celac. Tudo isso reforça a centralidade brasileira no novo equilíbrio global.
Essa é a nova política mundial contemporânea que se reorganiza em torno de redes de cooperação que já não podem ser desfeitas. Rússia, China e Brasil, na concertação política do BRICS, são os três protagonistas dessa nova configuração de forças.
Daí as várias medidas é excessivas de Trump para tentar anular essa transição em curso e restaurar a velha ordem unipolar. E ele disse isso de forma muito clara quando tornou seu mote principal de campanha:
“Fazer a América grande de novo”.
Se isso vai gerar um novo imperialismo aí só aguardando os tempos.
Assis Ribeiro
25 de setembro de 2025 11:20 am….” Mas tem dificuldade em consolidar planos estratégicos de desenvolvimento nacional.
Cede excessivamente nas negociações políticas, dentro do modelo de presidencialismo de coalizão.”…
…. ” Contudo, não é o estadista disposto a reformar profundamente o Estado.” ….
” Forças ocultas ” ???
JosejotaDASCONDICOES.marcelo
26 de setembro de 2025 6:38 amVou negociar com Thuamp RELAXEM!!!SENHOR THUAMP QUEREMOS.:1.Fotos,imagens,áudios do vendilhao Moro na cia(poupareu o puxasaco mor Eduardo)2.Visualização na proporção 10×1 para Lula(invertejdo a lógica atual)3.Robôs só podem falar bem do Brasil nos comentários 4.Pedido de desculpas ao judiciário brasileuro/moraes pela INDEVUDA INTERFERÊNCIA veiculado na internet,tv e rádios mundiais 5.Promessa escruta q não fará putaria ou mentira nenhuma mais na vida,não fica bem um dito.conservador fazer isto !!!OBSERVATION.:Iria escrever mais 5 condições mas facilitei para vc,APROVEITE e aceite logo.antes q eu mude de idéia!!!